orlando, istambul

sobre os tornozelos sentada / braços cruzados, repousando nas pernas / sorri / os olhos em baixo / tal como nessa manhã do / dia de todas as nossas esperanças / «muitas vezes», sim, «muitas vezes» / cozinha trigo sarraceno polvilhado com paixão e malaguetas / enquanto eu admiro a vida à sua volta / estou absolutamente seguro de que as traças do sótão nos viram a fazer amor / como aquele melro que nos visitou há dias / talvez à espera de encontrar uma migalha / e acabou testemunha da nossa união / neste apartamento com vista para o Nepal / ela é o meu Anapurna e tudo lhe pertence
aqui, minha querida / aqui não somos incomodados / e podemos viver o nosso amor em paz / todos / em português, em inglês, em russo, em hindi / porque nos apaixonamos em línguas estranhas e os nossos poros emanam tolerância
nem todos se podem amar como nós / em orlando / em istambul.

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