American Music Burguer: uma tragédia ortográfica

Há algo de verdadeiramente errado com as pessoas que abrem hamburguerias em Lisboa. Caros senhores, proprietários, empreendedores, criativos das agências de publicidade, decidam-se: ou escrevem “hambúrguer”, à portuguesa, ou abreviam para “burger”, como os ingleses. Isto de misturar agramaticalmente as duas línguas é capaz de tirar do sério o mais esfomeado e ‘carnívoro’ dos clientes.

Serve este ponto prévio para dizer que fui almoçar, num dia de extremo aborrecimento, ao American Music Burguer (sic) do Campo Grande, novo restaurante da marca – tem ainda moradas na avenida de Roma e na rua Alexandre Herculano, perto do Marquês de Pombal – que abriu há menos de um mês no Campo Grande.

Após um desentendimento inicial – a empregada pediu-me que voltasse ao meio-dia, quando de facto os ponteiros do relógio já ultrapassavam as 12 horas – lá entrei para experimentar o apregoado “melhor hambúrguer do mundo” (o chavão saía da boca de Marilyn Monroe numa impressão na porta do restaurante). A decoração, tal como a da sua congénere do Marquês, onde há uns anos vi o Barça de Guardiola cilindrar o Real de Mourinho por 5-0, lembra a dos antigos diners norte-americanos: pósteres dos Beatles, Rolling Stones e, anacronicamente, Guns N’ Roses combinam com quadros com citações de Oscar Wilde e até uma réplica de uma bomba de gasolina da Route 66.

A escolha de hambúrgueres é variada, numa lista com mais de uma dúzia de referências e nomes tão arbitrários quanto Punk (ainda estou para saber o que têm de punk os ingredientes molho à portuguesa e ovo estrelado), Blues (com molho de cogumelos frescos) ou Fado (mozarella fresca, tomate seco e manjericão). Os únicos pratos que seguiam a indicação à risca eram o Vegetariano, o Chicken Burguer e o Hambúrguer de Atum. Há saladas como a Filadélphia (sic) ou a Miami (ingredientes: “Salada Ibérica, Presunto, Mozzarella Fresca, Tomate Cherry e Molho Vinagrete”), além de aperitivos como chicken nuggets, comida mexicana variada e opções de piza.

Inspirado pela lendária fotografia de Jim Morrison, pedi um hambúrguer Rock (€ 4,75), com queijo derretido, bacon e cebola crocante, com batatas bravas (€ 2) a acompanhar. De acordo com o site do restaurante, os hambúrgueres são produzidos com carne de novilho nacional (100%), o que são boas notícias. O meu, medium rare, roçava a perfeição, tal como as batatas. O tempo de espera (cerca de 12 minutos) é perfeitamente aceitável. De resto, encontrei um espaço clean, que cheira a novo, e uma boa organização – por exemplo, o habitual trio de molhos (mostarda, ketchup e maionese) está já na mesa, poupando-nos a ter de pedi-los.

Terminei o meu almoço com um Nespresso, por que paguei 75 cêntimos, o que cifrou a conta nos € 9,50, sem sobremesa. Não é propriamente barato, especialmente tendo em conta que em Portugal entendemos uma hamburgueria como um restaurante de baixo custo (uma ideia tantas vezes errada) e principalmente porque podemos almoçar por bastante menos de dez euros numa normal cantina portuguesa. Valeu pelo hambúrguer que, não sendo “de autor”, bate aos pontos muitos dos que por aí se comem.

Nota 7 para a comida e ambiente. Zero a ortografia. O Google ajuda: “Será que quis dizer: burger“?

 

American Music Burguer

Campo Grande n.º 127-129

Tel. (sede): 21 596 3368

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